Paciente recebe visita de coelho

“Será que o Spaick está comendo? Será que ele está tomando água? Será que está com saudades de mim?”, dizia Mateus Cardoso Teles, de 9 anos, preocupado com o coelho de estimação, que estava sozinho em casa enquanto o menino estava internado no Sabará para uma cirurgia cardíaca.

Spaick chegou na família há apenas quatro meses, mas já ganhou o coração de Mateus e de seu irmão mais novo, Lucas. Os meninos cuidam, limpam a gaiola, brincam, dão comida. A ausência do Mateus em casa deixou o coelho tristinho. “Realmente o Spaick não estava comendo, nem tomando água. Eu também fiquei preocupada. Imagina se o coelho morre enquanto o Mateus está no hospital? Ele ficaria muito triste”, conta a mãe, Marleide.

Foi numa conversa com a equipe de cuidadores do Sabará, quando o Mateus contou sobre o seu coelhinho, que surgiu a ideia de trazê-lo para fazer uma visita. Não foi uma logística fácil. Envolveu vários setores do hospital e rolou uma verdadeira luta contra o relógio para que Spaick chegasse ao hospital antes da cirurgia. “Toda a equipe falou que seria bom para o Mateus. Com a visita do Spaick, vendo que ele estava bem, o Mateus iria mais feliz para a cirurgia”, lembra a mãe. E foi mesmo. Segundo Marleide, foi só ver o coelho que já se abriu um sorriso no rosto dele, deixando de lado a tristeza e o medo da cirurgia.

Vem outro cachorro aí

Além do coelho, Mateus já teve peixe, cachorro e hamster. É apaixonado por bichos. E sente muitas saudades do Toddy, seu cachorrinho que teve de ser doado por recomendação médica.

“Quando ele sai de casa, quer trazer todos os cachorros de rua para casa para cuidar deles. Eu brinco que ele vai abrir uma ONG para cuidar de bichos quando crescer”, conta a mãe.

Durante a internação aqui no Sabará, no auge da preocupação e sensibilidade dos pais, Mateus recebeu a promessa de ganhar um novo cachorrinho depois da cirurgia. “Eu vou pedir um cachorro pro meu pai agora porque ele está com o coração mole”, falou Mateus na ocasião.

O pai, André, planejava pensar sobre o assunto daqui a um mês. Mas mal tinham saído da UTI quando Marleide viu um lindo filhotinho de Shitsu no celular e Mateus se apaixonou à primeira vista. Antes mesmo da alta, com a ajuda do avô, o cachorro foi encomendado e já batizado: vai se chamar Toby.

 

Anomalia de Ebstein

Mateus tinha um ano quando foi descoberta a Síndrome de Wolff Parkinson White, uma arritmia cardíaca, que foi tratada pela Dra. Cecilia Barcellos, da equipe de ritmologia do Sabará, e resolvida em 2015. Paralelamente, descobriu a Anomalia de Ebstein em 2014, num ecocardiograma. Foi acompanhado de perto pela Dra. Beatriz Furlanetto e Dra. Grace Bichara, aguardando o momento certo para a cirurgia.

Em fevereiro deste ano, na volta de uma consulta com a Dra. Grace, Mateus começou a passar mal e desmaiou. Veio direto para o Hospital, internou e foi para a cirurgia no dia 28 de fevereiro. Havia três possíveis cenários para essa operação. No mais complicado, Mateus precisaria ir para a ECMO (Oxigenação por Membrana Extra-Corpórea). “Eu fiquei muito assustada. Mas a cirurgia foi um sucesso, todo mundo falou que foi um trabalho excepcional da Dra. Beatriz. Não precisou da ECMO”, conta Marleide.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 08/3/2018